Reportagens
Rio
Jornal do BrasilJosé Luiz de Pinho
05/01/2011 09h09
Índios sonham com escola em casarão abandonado
Porém, nativos que habitam museu no Maracanã sofrem ameaças
Foi-se o tempo em que índio queria apito. Agora ele quer ser cidadão, e um bom exemplo disso, são os mais de 20 indígenas que vivem no antigo Museu do Índio, próximo ao Maracanã, e que estão decididos a transformar a área na primeira universidade indígena do Brasil, associada a um centro de artes.
Após invadirem a área do museu no dia 20 de outubro de 2006, os nativos de oito etnias passaram a se valer da decisão do antigo-proprietário do imóvel, o Duque de Saxe, que em 18 de julho de 1865, doou o espaço à União para transformá-lo num Centro de Pesquisa sobre a cultura indígena.
Em setembro de 1984, a União cedeu o imóvel à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que, em 1986, deixou-o nas mãos do Ministério da Agricultura.
– Daqui não arredamos o pé – diz Afonso Chamakiri, da tribo Apurinã, do Amazonas. – Estive em Brasília esta semana com representantes do Ministério da Agricultura e da Conab, e estamos esperançosos de ver nosso sonho realizado.
publicado em 19/12/2009 às 13h15:
Antigo Museu do Índio pega fogo no Rio
Cerca de 20 indígenas e descendentes dormiam no local, mas ninguém se feriu
Bombeiros do quartel do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, combateram um incêndio no antigo Museu do Índio, em frente ao estádio, por volta das 2h30 deste sábado (19)
Cerca de 20 indígenas e descendentes, representantes das etnias Guajajara, Xavante, Pataxó, Fulniô e Puri, dormiam no local no momento em que o fogo começou. Ninguém ficou ferido. Segundo eles, alguém ateou fogo na oca grande erguida no terreno, pois as chamas começaram pela parte de cima.
O espaço funciona como um pólo de preservação da cultura indígena, além de dar abrigo e proteção para índios de todo o Brasil, que chegam ao Rio de Janeiro sem amparo governamental ou institucional.
O objetivo deles é a reforma do prédio para a criação no espaço da primeira Universidade Indígena do Rio de Janeiro, promovendo educação diferenciada, saberes ancestrais e ensino de história e cultura Indígena (segundo os ditames da Lei nº 11.465/08, de março de 2008).
O prédio, hoje em ruínas, foi sede do Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Nos anos 1950 abrigou o Museu do Índio, criado por Darcy Ribeiro, que foi desativado e transferido para o bairro de Botafogo, na zona sul, em 1978.
JB Digital - Rio
Índigenas querem Centro cultural
Indígenas insistem em projeto de universidade, mas prédio ocupado no Maracanã deverá ser revitalizado José Luiz de Pinho Foi-se o tempo em que índio queria apito.
Agora ele quer ser cidadão, e um bom exemplo disso, são os mais de 20 indígenas que vivem no antigo Museu do Índio, próximo ao Maracanã, e que estão decididos a transformar a área na primeira universidade indígena do Brasil, associada a um centro de artes.
Após invadirem a área do museu no dia 20 de outubro de 2006, os nativos de oito etnias passaram a se valer da decisão do antigo-proprietário do imóvel, o Duque de Saxe, que em 18 de julho de 1865, doou o espaço à União para transformá-lo num Centro de Pesquisa sobre a cultura indígena.
Em setembro de 1984, a União cedeu o imóvel à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que, em 1986, deixou-o nas mãos do Ministério da Agricultura.
– Daqui não arredamos o pé – diz Afonso Chamakiri, da tribo Apurinã, do Amazonas.
– Estive em Brasília esta semana com representantes do Ministério da Agricultura e da Conab, e estamos esperançosos de ver nosso sonho realizado.
O problema é que o antigo museu não é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), nem pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).
O Museu do Índio foi inaugurado em 19 de abril de 1953, no Dia do Índio, por Darcy Ribeiro, e funcionou no local até 1977.
No ano seguinte, foi transferido para a Rua das Palmeiras, em Botafogo.
– Em 1997, o Inepac fez estudos técnicos com vistas à instrução do processo para o tombamento do imóvel, mas não houve prosseguimento nas esferas superiores – explicou a assessoria da Secretaria Estadual Cultura.
A superintendência da Conab, em Brasília, informa que, com a chegada da Copa do Mundo, em 2014, o local, próximo ao Maracanã, palco da final, será revitalizado.
– As reuniões começaram na semana passada e outras virão para que se chegue a um consenso – disse a assessoria de imprensa da Conab.
A Secretaria Estadual de Turismo, Esporte e Lazer e a prefeitura informam que o espaço consta no calendário de revitalização do entorno do Maracanã, em processo de estudos.
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FIBRA – Mesmo vivendo em condições precárias, índios se mantêm firmes em sua luta.







